Publicado por: alexpossato | Março 25, 2009

Trilha Castelhanos com bike

Olá, amigo! Eu e Theresa Spyra estivemos em Ilha Bela, litoral norte de São Paulo, e fizemos metade da trilha dos Castelhanos. Metade? Sim… são 20 km de distância, e como saímos muito tarde, não daria para fazê-la totalmente e voltar, antes de escurecer. Ela é linda…

São 10 quilômetros subindo e outros tanto descendo. Fui até o pico, mas de lá, voltei… Esta trilha se inicia na entrada do Parque Estadual, e vai até a praia dos Castelhanos, na parte não habitada da ilha.

Respeitando a minha falta de preparo e da Theresa, fomos no ritmo tranquilo, e foi lindo… Detalhes: repelente é necessário…

Dá até para tomar banho de cachoeira!!! A praia chegarei na próxima!

(quer saber mais sobre a trilha… leia o relato do Rodrigo, de Campinas, que se atolou todo… mas chegou lá… quando fui, a trilha estava boa e seca… para o aventureiro, basta notar que choveu uns 30 mm durante 5 dias seguidos, e pode saber que terá lama… se não chover tudo isso, a trilha permanece sem lama)

Alex Possato e Theresa Spyra, do nokomando-soluções sistêmicas

Estive passeando pela internet, e vi como os xiitas de todas as seitas se degladiam em torno das suas verdades. Ateus “provam” que deus não está na Igreja Renascer, porque o teto caiu e matou 9 pessoas. Evangélicos brigam do outro lado para mostrar que os ateus irão queimar no fogo do inferno. Engraçado: vi até gente que se diz budista xingando católicos, evangélicos, etc. Cacete, este conceito de deus ta muito infantil, né? É tão óbvio ver que deus mata católicos, evangélicos, budistas, muçulmanos, judeus, ateus…

E aí está um dos erros de todas as religiões: elas são obrigadas a dizer que seus fiéis são melhores que os outros, e dão diversos motivos para isso. Os fiéis são abençoados, e as provas de fé, os milagres, os depoimentos, os testemunhos, seja lá qual for a palavra que usam, querem demonstrar que deus abençoa x, y ou z. Tem algumas linhas que são mais abertas, eu particularmente acho que, talvez pela cultura, o zen budismo não se interessa pela concorrência, já que a idéia é a iluminação interior de seus membros… mas isso é minha opinião, muito suspeita por sinal. Em tempo, também não sou adepto do zen instituição.

Resolvi fazer um levantamento, para serenar os ânimos desta nova cruzada moderna de fiéis contra infiéis, e demonstrar que deus mata seus seguidores, sim. Se a imagem de deus que você tem é daquele que abençoa os que o segue e dá bênçãos, saúde, dinheiro, felicidade, vida eterna, nirvana e sei lá mais o que, e amaldiçoa aqueles que não o segue, dando morte, desgraça e o inferno na terra e lá também, quem sabe esteja na hora de reconsiderar o seu conceito sobre deus…

São Paulo, 18 de janeiro de 2009, desaba teto da Igreja Renascer – 9 mortos

Ibiúna-SP, 20 de outubro de 2009, acidente com van de evangélicos – 7 mortos

Ouricuri-PE, 13 de setembro de 2008 acidente com ônibus da Igreja Batista – 8 mortos

Várzea Grande-MT, 10 de janeiro de 2009, acidente de carro mata 4 freiras católicas

Jos-Nigéria, 30 de novembro de 2009, ataques de milícias cristãs – 400 mortos muçulmanos

Ufa… sabe, cansei. Poderia desfilar aqui os dois milhões de judeus mortos na segunda guerra, os milhares de budistas mortos no tufão de Miramar, os sei-lá-que-religião que morreram no terremoto da China, antes das olimpíadas… Se existe um deus, ele não está nem aí preocupado com a sua vida ou com a sua morte, com a sua saúde ou doença, a sua riqueza ou pobreza. Quem tem que se preocupar com isso é você. Religião e crenças religiosas, esotéricas, mestres e o que mais for pode ser um conforto social, emocional e até intelectual… mas… tábua de salvação? Aos que buscam sinceramente o auto-conhecimento, a religião pode ser um caminho, mas não a verdade. A ciência também não é verdade – é apenas fragmento de coisas observadas. Nada é verdade, a não ser aquela que você encontra dentro de si mesmo. E as vezes, você até encontra a si mesmo, dentro de uma religião. Mas é raro. E ao encontrar a si mesmo dentro de uma religião, você deve sair da religião, queimar seus ídolos, seus símbolos, e viver aberto aos outros. Isto é natural: ser humano que realmente vive a fé que diz ter, não tem medo de nada. Ou quase nada. Religião segrega o mundo em minorias. Ou se ama a todos os homens, crentes e descrentes, ou não ama nem a si mesmo. Está preparado? Faça! Já aos que buscam negociar com o patrão de cima, tipo, eu dou a minha fé e você me dá dinheiro, saúde, uma vidinha boa lá em cima, isso é coisa de política e corrupção. Se você crê em deus, saiba que ele não se manifesta especificamente nas igrejas, ele se manifesta naquilo que você faz, naquilo que você é e na forma que você vê o mundo -  que dizem, foi ele que criou. Você está feliz com a forma que vê o mundo que deus criou para você? Trabalho, vida, ação, nascimento e morte, doenças e saúde, dinheiro e pobreza, guerra e paz passam a ser sinônimos do divino. O vazio, o nada e o tudo também. Quem sabe esteja na hora de você fazer por si mesmo, e deixar deus descansar um pouquinho?

Do it yourself! O patrão agradece.

Publicado por: alexpossato | Fevereiro 12, 2009

Morte do piloto de motocross freestyle Jeremy Lusk

Falando em medo, assunto do meu post anterior, esta semana estive conversando com uma cliente. Ela disse que gostaria de andar de bike em São Paulo, mas… Bem, sabe, aquela morte da ciclista na avenida Paulista… Bem, entendi, é o medo.

Aceito que seja assim. Cada um tem o seu limite. Para cada atitude que tomamos na vida, é necessário ter um sentido por detrás. Descascar uma banana, ou fazer essas maluquices que vitimou o piloto Jeremy Lusk. Maluquice? Quem sou eu para dizer isso? Com certeza, ele morreu fazendo o que mais gostava. Jesus também não foi assim?

Bem, eu sou muito bundão. Para mim, tirar a bunda do assento do carro e colocar numa bike já é o meu grande desafio. Por enquanto. E o meu sentido por detrás disso? Liberdade… rapidez no trânsito (pode?)… preparo físico… fazer algo com minha mulher… reviver uma atividade da adolescência que adoro…. estar em contato com a natureza…

Jeremy tinha o seu esporte, e sua paixão. E estava disposto a morrer por ela. Sabia os riscos. Por o que você está disposto a morrer? O que você faz que tem um sentido até maior que a própria vida? Existe algo? Na verdade, vou reeditar minha pergunta: o que você faria que está disposto a viver? Não precisa pensar em nada radical. Minha irmã Tatiana era bióloga, adorava natureza, mar, praia, peixes, mato. Estava sentada numa cachoeira não muito alta. Escorregou, bateu a cabeça, e morreu. Aos 28 anos. Morreu fazendo o que gostava… O que você faria para poder viver, de verdade?

Alex Possato é diretor do nokomando

Publicado por: alexpossato | Fevereiro 11, 2009

Espiritualidade às avessas – uma fábula

Imagine que, um dia, você está passando por debaixo de um desses transformadores gigantescos da companhia elétrica, desses que emitem um zuuuummmm e parecem estar querendo explodir a qualquer momento, e… você recebe uma tremenda de uma descarga nos miolos.

Daí, você se levanta, recolhe os bobs espalhados no chão, ajeita a carteira de cigarro no bolso, e sai caminhando como nada tivesse acontecido. Mas peraí! Você olha para os seus pensamentos e não se reconhece mais. Algo mudou, e mudou drasticamente. Você percebe que não tem mais medo. Nenhum, a não ser aqueles normais, de quando você está muito próximo da boca de um tigre faminto. Mas isso, como quase nunca ocorre, não conta…

Sem medo, você anda, sem medo você vive, sem medo você trabalha. Imagine só: agora, você tem a coragem de falar com quem quiser, ir atrás de qualquer trabalho, e como não tem um pinguinho de medo, não duvida em falar que você pode fazer qualquer coisa. Sua palavra convence, afinal, todos vêem segurança em você. E como convence, você ganha muito dinheiro.

Sem medo você passa na porta da sua igreja e não quer entrar mais. Não há temor do que vai ocorrer do outro lado da vida. Se morrer agora, não há problema. Se for daqui a cem anos, melhor ainda. E também não sente mais necessidade de fazer caridade, já que não tem medo de reencarnar como um gafanhoto, ou numa vida desgraçada. Que engraçado, não é: você fazia tantas coisas somente porque tinha medo do amanhã. E medo de não ser aceito pelos outros.

Não há mais jeito: um cara sem medo não é aceito por ninguém mesmo. Afinal, todo mundo tem medo, e por isso são passivos, mostram-se externamente sociáveis, e quando estão nas quatro paredes de casa, descem o porrete no cachorro e no papagaio, falam doce para os outros e destilam fel para si mesmo. Você se lembra, não é? Você era assim, e agora, sem medo, não está nem aí. Você faz a sua vida, e se os outros se ofendem, é porque agora você não está mais mascarado para a sociedade. Agora você desce o porrete no cachorro e não tem medo de esconder o seu jeito. Agora você não tem medo de mostrar sua barriga rechonchuda e nem medo de falar errado em frente aos outros. Não há medo em falhar na cama ou em ser reprovado no teste. E o medo de ficar sem dinheiro, então? Acabou, porque você agora não tem medo de cobrar o quanto vale um profissional que não tem medo. E os outros pagam, porque respeitam alguém que não tem medo.

Mas como toda boa fábula, chega-se a uma encruzilhada e o exu aparece. E misinfio, que não tem medo de nada, encara o chifrudo numa boa. Que lhe pergunta:

- Então, cumpadi. Ta tudo muito bom, bom. Ta tudo muito bem, bem. Mas realmente, realmente… você tem que optar.

- Cara, a eleição é só daqui há dois anos.

- Ta tirando uma de mim, o meu? O papo é o seguinte: acabou a história. Vou te devolver esta caixinha, que ela lhe pertence.

- Que caixinha?

- Esta aqui.

E mostra uma caixinha, com o logotipo da rede globo em cima.

- É o seu medo. Sacou?

- Saquei. Fica com ele.

- Veja bem, cumpadi. Eu devolvo ele, e você poderá novamente ser caridoso, pensar em orar bastante, em evoluir, fazer cara de coitado, ser devoto de quem quiser, falar que acredita em deus, sem nem saber o que é isso, acender vela até pra mim, mostrar pra todo mundo que você é gente fina… você até será aceito novamente pelas pessoas. Agora, eles te acham um arrogante, cara!

- Pois é… Sabe, este papo de Deus… agora que eu faço tudo o que antes não tinha coragem, sinto-me tão forte que não preciso pensar em Deus. Nem no diabo.

- Vamo pará de embromar, o cara. Você vai voltar com seu medo, com sua espiritualidade, com seu deus e vai voltar a ser o cara que sempre foi. Um cordeiro de deus, que tira o pecado do mundo. Toma aqui, que o santo é seu.

Fim da fábula.

Lembro-me de uma frase da sabedoria dos indianos que dizia algo assim: a relação entre eu e a flor é a imagem que crio da flor. Quando não há mais imagem, eu e a flor fundimo-nos numa só coisa.

Da mesma forma, entre você e deus existe uma imagem que você cria dele. O que há além disso?

Trabalhe seus medos e atinja suas metas com a constelação sistêmica, uma técnica rápida e eficaz de você acessar sua inteligência emocional e a intuição. Clique aqui e saiba mais

Alguns interessantes excertos do bom livro “Os lugares que nos assustam”, da linha budista tibetana, que explica um pouco sobre a profunda transição necessária para transcender o medo e viver uma nova realidade – você pode encontrar clicando aqui, no Blog “para ser zen”.

Publicado por: alexpossato | Fevereiro 10, 2009

Bike no minhocão!

Quem não é de Sampa não deve saber o que é o minhocão. Não é o

eu, no minhocão

eu, no minhocão

pirulito do cara do filme pornô, não… Mas é uma monstruosidade. Ou talvez não. Parafraseando Caê, faz parte da “dura poesia concreta”, obra e assinatura de Paulo Maluf, aquele que faz. Ou melhor, fazia, porque não será mais eleito para cargo executivo… Bem, fato é que o amigo ex-prefeito, quando em posse do trono, resolveu fazer um elevado sobre uma das mais belas avenidas de São Paulo, ligando o centro à zona oeste, bem pertinho do meu Palmeiras. Palmeeeiraaaasss!!! Bem, a obra ficou uma aberração, e acabou com a região, com os prédios antigos e chiques.

Por acaso, eu, com meus cinco anos de idade, morei na São João, e minha janela dava de frente para a via expressa. Era um tal de ouvir carro passando na sala… eu, na minha doce meninice, não sabia que aquilo era imbecil.

foto de Theresa Spyra

foto de Theresa Spyra

Hoje, alguns aninhos mais tarde, pude passar em frente à minha janela. Hoje, fechada. A tinta descascada e a pintura pendurada como pedaço de pele queimado de sol. Do último andar, uma das únicas janelas abertas cantava, a todos os pulmões, uma música destas tipo “isto é kaliiiiipppppiiiissssoooo!!! Eu, de bike, agora no domingo, com o minhocão fechado para carros. Junto com minha companheira, Theresa, também de bike. Outros ciclistas, devidamente encapacetados, passavam em grupos e acenavam com a cabeça, como que dizendo: pois é…


Andar de bike no domingo, principalmente pelas ruas mais centrais, para mim é um delírio. Quantos cheiros, alguns horrendos de bosta humana, pelos cantos dos viadutos, mas outros suaves… Alguns de comida super calórica, outros ácidos de alguma fumaça…

São Paulo pode ser redescoberta de bike. Não só aos domingos, não só nos passeios noturnos. Existe muita beleza concreta, discreta e até gritante. Um antigo templo zen budista no Japão fazia seus monges meditarem, observando excrementos. Quem já sentou – na almofada, bem entendido, deve saber do que estou falando. Ao simplesmente observar, zazen em andamento, nada a ver, nada a julgar, simplesmente estando presente, percebe a beleza. A feiúra não existe. Zazen de bike? Pois é! A monja Coen que me perdoe…

Publicado por: alexpossato | Janeiro 29, 2009

Trilha Juréia-Itatins

Estou de mala e cuia preparada, ou melhor, mochila e cantil para ir à Juréia. O tempo não ajuda muito, mas deixei de ligar para isso. Não vejo problema em chuva, lama e umidade. Vou eu e família. Já fiz este caminho muitas vezes, desde que tinha 18 anos. Mas continuo fazendo. Até porque nada mudou, nestes vinte e poucos anos. A mesma estrada, a mesma vila, as mesmas casas, tudo preservado, a mata Atlântida virgem como nos tempos de Cabral.

Não vou fugir do estresse, porque não existe estresse nenhum em morar e viver bem em São Paulo. Vou porque quero fazer algo que gosto muito: caminhar, tomar banho de cachoeira, ouvir o mar, ver os caranguejos, comer um peixe. Tudo isso com a esposa e as crianças, que estão deixando de ser crianças.

Quero ouvir novamente o som do tênis pisando nas pedras e na terra. O silêncio da mata que preenche tudo, até mostrar seus pequenos e peculiares sons: uma folha caindo, um galho se quebrando, um inseto se movendo. A mata, o mato, isso me ajuda a treinar o meu estado de presença. E a perceber meus pensamentos, emoções, e deixá-los de lado.

Não é anestesiar os sentidos, como fiz na minha juventude, a base de álcool, cigarros e muita farra. A mata se oferecia virgem para eu penetrá-la e eu mal me percebia como ser humano. Como perceber a mata? Não, sem álcool, sem drogas, sem rock’n-roll. O violão e o som ficam em casa. Apenas o som do tênis pisando nas pedras e na lama.

Já fiz o trajeto entre Peruíbe à Juréia à pé, mochila pesada nas costas. Já fiz de carro. Já andei com as crianças e voltei de ônibus. Cada caminhada, única, incomparável.

joshua1Agora mais um trilheiro irá comigo: Joshua. Meu cachorro. Dizem que há séculos, o schnauzer acompanhava as carruagens em viagens pela Alemanha, seu país de origem. Vamos ver. Se não acompanhar, carrego ele nas costas…

Depois, na volta, a diversão continua, pois temos muita gente bacana, muitas empresas e muito trabalho a fazer… Trabalho ou lazer? Sei lá, é tudo a mesma coisa!

Publicado por: alexpossato | Janeiro 26, 2009

Bike em Sampa

Pode ser que você ache estranho que um quarentão como eu se locomova pelo trânsito caótico de São Paulo de bike. Pois é, aderi ao transporte desmotorizado. Não é que eu não ande de carro, mas ele fica parado muito tempo na garagem. Gosto de exercício. Gosto de estar bem fisicamente, magro, com os músculos em dia. Mas não gosto de malhar. Malhar por malhar? Pra que? Tudo eu acho que tem um sentido por detrás, ou deve ter, e apenas a estética legal e o corpo afinado é um sentido por demais medíocre para mim. Mas sentir o vento no rosto, o cheiro da cidade (e olha que tem milhões de cheiros, alguns ruins, mas muitos incríveis!), ver as meninas e os mendigos de perto, sentir o ônibus passar balançando a bike, a educação dos motoristas – muitos, por sinal, e a infantilidade de outros – poucos… Viver é incrível. De bike, conheço muitas portas que antes não reparava. Posso parar e tomar um café na hora que eu quiser, sem nenhum problema para estacionar e nem necessidade de dar seta.

Sábado fui ao correio, enviar uns livros para o nordeste. E fui buscar uns negócios em casa de material de construção. Parecia um ET andando nas mega-lojas, com capacete vermelho, calça preta agarradinha com enchimento na bunda, mochila nas costas. Fosse outro tempo, eu teria vergonha de mim mesmo. Mas para que vergonha? Vergonha de fazer o que eu quero, do jeito que eu quero, quando eu quero?

Andei, andei, andei… até parece música sertaneja. 25 quilômetros? É, pode ser. Mas fiz meu exercício. E tinha um sentido. Ou melhor, vários. Eu dou sentido às coisas que faço. Não entro no piloto-automático de fazer o que os outros falam pra fazer.

Morte da ciclista na Paulista – em defesa do acaso

Estou no time dos ciclistas. Mas sou motorista também. E pedestre em muitos momentos. Palmeirense, claro. Já cheguei a deitar no banco do largo Ana Rosa, e se não fossem as roupas, estaria no time dos mendigos. É, o homem busca grupos para se identificar. O homem é bicho social. É engraçado. Seja nas igrejas, na política, no futebol e até no ciclismo, procuram grupos para se sentirem seguros. Dizem: defender nossos interesses. Que nada! É para sentir-se parte de algo, já que o homem tem uma dificuldade tremenda de simplesmente perceber-se “um ser vivo”, que faz parte da vida, do asfalto, de todos os grupos, de todas as raças, de todos os times…

Muita abobrinha foi falada. Desde que o motorista de ônibus assassinou a ciclista, até que o governo é culpado. Culpado de que? São Paulo é caótico para quem vê. Para mim, é uma cidade bela e gosto de viver aqui. É fácil andar de bike aqui? Não, assim como não é fácil dirigir, andar a pé ou de transporte coletivo. A cidade vai melhorar? Vai, sem dúvida, como tudo na vida. Já que nada é fácil, extremamente fácil, faço tudo na boa e se dane o resto. Morre-se gente de bike, mas muito mais são atropelados. E muito mais ainda morrem em acidentes de trânsito. Culpa do governo? Ou do motorista de ônibus?

A vida é um acaso. Ela ocorre. A morte também.

Na nossa ignorância humana, buscamos causa e efeito em tudo. A morte é efeito da vida. E ela vem sem avisar.

Publicado por: alexpossato | Janeiro 21, 2009

Meu novo CD, nas bancas!

Lançado meu novo CD, “Lei da Atração e Equilíbrio Emocional”. Você pode encontrá-lo nas bancas ou comprá-lo online, no meu site! Clique aqui para isso! É só escolher.

Quer ouvir? Duas faixas estão no site, disponíveis para download! Neste novo trabalho, passo técnicas de auto-observação e programação neurolingüística, para você que pode e quer estar nokomando da própria vida!

Abraços!

Publicado por: alexpossato | Janeiro 15, 2009

Tudo que crês, é ilusão

Você é ilusionista ou platéia?

Você é ilusionista ou platéia?

A mente humana tem uma singular função: gravar idéias, crenças, algo que alguém fala. Papai fala: você é bonito! A mente grava. Mamãe fala: você fez coisa feia! A mente grava. Titio fala: que indecência! A mente grava. O namorado fala: ficarei com você até o fim da vida! A mente grava.

Ontem, os jornais estavam falando em crise. Que engraçado. Dias destes, estava lendo um livro de Krishinamurti, o pensador hindu, dos anos cinqüenta, e ele falava algo assim: o mundo está passando por uma crise, e blá-blá-blá… Apesar da sabedoria do cara, achei que alguém que se diz mestre e não se tocou que crise é também uma idéia gravada, inexistente, está no mínimo sendo incoerente. Até porque ele atirava contra toda e qualquer religião, dizendo que a única forma de se conhecer Deus seria investigando a si mesmo – no que concordo.

Mas não vamos falar disso, agora. Vamos falar de idéias. Quais idéias estão na nossa cabeça?

Muitas pessoas pensam que são tudo, podem tudo e conseguem tudo. Com certeza, sentem medo, ansiedade, mas têm a idéia de que isso faz parte da conquista do sucesso, da carreira, da alta performance. Muitos outros pensam que estão mal, são doentes, a morte está à espreita, não têm chances… Sentem medo e ansiedade, como qualquer um, mas estas emoções amplificam-se e podem travar o comportamento.

Quem está com o pensamento certo? Quem está com o pensamento errado? Todos – certo e errado. Simplesmente porque quem dá o significado à tudo o que vê, ouve e sente é o próprio dono da caixola. Como somos acostumados a dar significados para tudo, desde pequenos, e por sermos animais condicionados, quando crescemos, estamos condicionados a continuar dando significados. E não ensinaram que podemos trocar os significados na hora que quisermos. Porque, no fundo, a única função do significado é servir ao seu dono. Se damos o significado de “difícil e perigoso” ao mundo, é isto que escolhemos. Se olhamos para nós e falamos: eu ainda não consigo, é esta a opção que acabamos de teclar. Se sentimos um medo qualquer e dizemos: algo ruim vai acontecer, este é o significado.

Acreditamos em muitas coisas: santos, deuses, justiça e injustiça, certo e errado, moral e imoral, qualidades e defeitos… tudo isso, ensinado por alguém. Nada foi idéia nossa, original. Optamos por escolher idéias dos outros, para vivermos. E as vezes, trocamos as idéias. Mudamos de religião, de esposa, de cidade, de partido político, de time. Deixamos de gostar de uma comida ou de uma bebida. Paramos de fumar ou começamos a nos drogar. Adotamos comportamentos que outros já adotaram, e falamos: isso é porque eu quero. Agora eu sou assim!

Vitoriosos e derrotados

Da mesma forma, adotamos significados para nós mesmos. Existem pessoas que olham para si e se dizem: sou talentoso, nada pode me impedir, sou criativo, o dinheiro vem fácil, vou atrás do que quero… Não é questão das palavras. Enganam-se aqueles que acham que pensamento positivo leva a alguma coisa. O que leva a alguma coisa é ação e o significado que existe por detrás dela. As palavras, pouco importam. E então a pessoa age. Rumo à vitória? Não, rumo ao significado que ele deu à própria vida. Vitória e derrota também não existem: são idéias que algum babaca, como eu, olha, julga e conclui: aquele cara deu certo na vida. Aquele lá, se ferrou!

Não existem vitoriosos ou derrotados, bem-sucedidos ou mal-sucedidos, certo ou errado. Existem pessoas que fazem movidos por uma chama interior, que às vezes o queima e o fere, mas o impele para frente, e existem pessoas que agem movidos por um desarranjo intestinal.

Não é importante buscar os “porquês” de algo. Por que isso, por que aquilo? É importante decidir, fazer e perceber se a atitude é confortável a si ou não. Para que isso? Simplesmente porque a vida é um amontoado de coisas que fazemos, para no final, morrermos. Por que não fazer aquilo que nos dá prazer? Por que não mandar “para os cocos” aquilo e aqueles que nos incomodam? Porque é pecado? Porque temos que agüentar x, y ou z para evoluir? Evoluir para onde? Por que não falar: eu sou o cara! Por que não se mostrar como o mais competente na sua função? Por que não se bancar?

Tudo o que acreditamos e dizemos é uma ilusão. E com ilusão, só existem duas posições: a do ilusionista e a da platéia.

Alex Possato é trainer de desenvolvimento pessoal e profissional, escritor e autor dos CDs Lei da Atração no Processo do Aprendizado e Lei da Atração e Equilíbrio Emocional

Conheça o pensamento sistêmico e mude a sua vida!

Publicado por: alexpossato | Janeiro 12, 2009

A motivação morre na porta

Matar ou morrer! Vestir a camisa! Motivação e prêmios! Produtividade ou rua! Existem empresas com este espírito. É excelente para lutadores de jiu-jitsu e vale-tudo. Trabalhei em vendas, num lugar assim. A sala de reuniões parecia um campo de guerra, após a batalha. Mortos e feridos, pedaços e maxilares e pernas decepadas espalhadas sobre os computadores, e mesmo os vencedores, mal se sustentavam em pé. A maior parte sentia-se tão mal que não via a hora de cair fora, depois do expediente, para ir aos braços da amante ou ao encontro do copo. O carro zero quilômetros enfeitava a entrada, mas não motivava ninguém, porque as tabelas na parede mostravam: a disputa era somente para os matadores profissionais: dois ou três sujeitos espertos, com a faca nos dentes. Os bonzinhos também não se sentiam bem. Eram massacrados, baixa produtividade, e só eram bonzinhos porque não tinham coragem de guerrear. No fundo, eram tão perversos quanto os profissionais, mas não tinham coragem para mostrar a perversidade. Queriam ser aceitos e esperavam sobrar as migalhas da batalha. Quem sabe um liquidificador no final da campanha, ou talvez, um micro-ondas.

Trabalhando para si mesmo, não para a empresa

É engraçado que todos sabem disso, mas finge-se que não: o funcionário está pouco ligando para a empresa, e a empresa está pouco ligando para o funcionário. Ao primeiro sinal de crise, corta-se o que for possível, e isso é o correto, para a empresa. E ao primeiro sinal de emprego melhor ou outra oportunidade, o cara cai fora da empresa. E ainda, se puder, aciona a Justiça do Trabalho. É lógico que não dá para trabalhar motivado por prêmios. Nem por coisa nenhuma que não seja reconhecida pelo próprio cara. Um dos grandes nomes da psicologia, Viktor Frankl, demonstra que a motivação percorre caminhos completamente pessoais, e tem origem no emocional: querer ser aceito, querer fazer parte de algo, querer sobreviver, isso impele o ser humano a passar por cima dos outros, a lutar por grana, a buscar conforto e bem-estar. A questão é que estes mesmos motivos podem impelir a pessoa a ser um trabalhador medíocre e acomodado. Querer ser aceito significa não peitar o chefe, não aceitar qualquer coisa do seu cliente e colocá-lo na parede, não mostrar que você é melhor que o colega, não bancar-se… Para sobreviver, precisa-se pouco, e é fácil acomodar-se com pouco… Fazer parte: não há coisa melhor do que fazer parte do grupo dos remediados, todos batendo no peito o orgulho de ser pobre, mas que curte o pagode e o futebol society, faz churrasco e é visto por todos como um cara bacana. Só que este cara, se quer subir, tem que largar este grupo, para entrar no grupo dos profissionais. Bancar-se, querer subir por algum motivo particular. E tanto faz o motivo – ele tem que ser pessoal e justificado a si mesmo. As pessoas costumam falar dos motivos nobres, como sustentar a família, fazer sua parte social, ser voluntário, etc., mas sabemos que, na verdade, existem motivos nem tão nobres, mas que também servem como motivadores: sustentar a amante, pagar a escola do filho com a outra, comprar um carro igual ao da cunhada, sustentar o vício do jogo, comprar roupas caras e sexy para provocar o vizinho gostosão, ou as idas à casa da luz vermelha… não importa. Qualquer motivo é pessoal, e ninguém tem nada a ver com isso. O certo ou o errado está dentro de cada um. Depois, o negócio é assumir as conseqüências do próprio ato.

Enquadrar-se ou rebelar-se

Lógico que nem todo mundo tem uma amante ou filhos por aí… nem freqüentam lugares oculto e possuem vícios cabeludos. A questão é que a motivação percorre caminhos não convencionais, que não são vistos pela maioria, simplesmente porque os consultores, como eu, ficam falando em obviedades broxantes, como “vestir a camisa”, “dedicar-se ao trabalho”, “ter uma missão na vida”. Tudo isso é papo furado. Às vezes, a motivação está em largar a mulher em casa, uma vez por semana, e sair com os amigos. Mas o marido pensa que não dá, porque ela vai ficar com ciúmes, e blá-blá-blá, e acaba se podando e acostumando-se a uma vida limitada e infeliz. Às vezes a motivação está no simples sair com o filho para jogar bola, mas a rotina de ver TV, ir na mamãe almoçar, trabalhar como um cão e dormir não permite.

Para quem não tem motivação, é bem simples: é só perguntar a si mesmo “o que eu gostaria de fazer hoje, de diferente?”, e fazer. É vencer os bloqueios emocionais que impedem fazer o que realmente quer, que impedem de ser quem realmente você é, com todos os pingos nos “is”. É parar de fingir, de querer ser aceito, de ser legal, e viver, somente.

A vida, por si só, é a maior motivação que existe. E cada um encontrará uma razão suficiente e excitante para vivê-la, ao máximo. Por que limitar-se?

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